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A Docência e a Valorização do Magistério

O magistério é uma das profissões mais complexas. O seu conteúdo é a própria humanidade. A ação docente não se limita ao ensino, à sala de aula ou a escola. O seu conteúdo é identificado com a própria humanidade. Ou seja, fazer no outro a humanidade partilhando crenças, emoções, afetos e valores, promovendo na pessoa humana o sentido da vida.

A docência é uma prática carregada de sentido, marcada por uma ambiência, situada numa realidade em que se busca realizar por um ato finito, o ser infinito do humano. Assim, a razão que orienta o saber docente é constituída por uma racionalidade limitada. O professor desenvolve pela sua experiência uma prática que mediada pela reflexão, gera um conhecimento que lhe é específico. Não existe receita para se formar um bom professor. No entanto, é daí que emerge a ambigüidade da docência. O que garante a docência? Qual o resultado do trabalho dos professores? Qual a certeza de se conseguir o que se planejou no final da atividade proposta pelos professores? Será que basta a formação numa licenciatura para ser um bom professor? Se a formação universitária não assegura a formação de um bom professor, de que vale a universitarização da profissão? O que faz um bom professor? No seu cerne a docência é um ofício, que se faz modernamente como uma profissão. Portanto, se aprende ser professor por uma conquista de ser humano, fazendo no outro a própria humanidade, é pela alteridade de reconhecer o outro que se faz a docência. Não é algo simples a formação de professor. É um desafio contínuo ser professor. É uma conquista que se faz dia-a-dia, em cada atividade, na aula, na sala de aula, na escola, com os alunos, com os colegas professores e até com os pais dos alunos. O conteúdo de uma aula, não está apenas no conteúdo a ser ensinado, mas na realização da formação do humano outro ser humano, que se faz educando.

É sabido que o ensino é uma atividade prática. A prática docente é uma ação concebida pelas circunstâncias que marcam a nossa própria humanidade. Destaco que a experiência docente é constituída pela cultura social, fonte da prática educativa. Como nos esclarece o Prof. Gimeno Sacristán, o professor age movido pela ação docente que é situada e a situação é marcada pela ação docente. A prática docente forja o conhecimento prático dos professores que é aperfeiçoado ao longo da sua carreira no magistério. É neste sentido que se interpreta a dimensão da reflexão da ação docente: é um conhecimento que se gesta na relação entre o pensamento, a ação e o pensamento sobre a ação. É aí que se gera o conhecimento que está implícito na ação docente e o conhecimento que se explicita como fruto da reflexão sobre a ação. A docência se faz para além da técnica e se realiza como uma ação intelectual que requer autonomia do sujeito que a exerce.

Mas a ação docente dos professores no seu trabalho é uma atitude profissional, pessoal e política. O professor é sujeito que desafiado pela responsabilidade frente às demandas da sociedade, tem no seu compromisso com a utopia e a emancipação uma tarefa ética de respeito incondicional a dignidade do ser humano.

Os professores precisam de incentivo no desenvolvimento do trabalho docente. Para a elaboração do design didático, por meio do planejamento a feitura de uma aula exige criatividade e conhecimento, sobretudo, mobilizados numa situação de ensino e aprendizagem. A docência pede do professor que transforme informação em conhecimento, conhecimento ensinado em aprendizagem. aqui se aplica a máxima: não se ensina a quem não quer aprender.

Portanto, a docência é uma profissão muito especial. A valorização do professor e da professora deve contar com o reconhecimento de toda a sociedade. Boas condições de trabalho, salário digno que permita ao professor uma vida segura e confortável, que viabilize ao professor escolher as suas leituras, que permita tempo de ócio para o estudo, dedicado a sua atualização, lazer de qualidade e até o consumo de produtos culturais como livro, o CD, o teatro e o cinema é fundamental para a resignificação do professorado. É grave o desrespeito aos professores. O magistério é um dos trabalhos mais difíceis de realizar, não é fácil conseguir êxito na ação docente. O aluno não vai para a escola por vontade própria. Trata-se antes de uma imposição social. A valorização do magistério implica a melhoria da qualidade da educação, da escola e do ensino e da sociabilidade de forma ampla.

Por isso educar é um fazer do impossível como nos diz Freud, ou mesmo uma tarefa do irrealizável, pois, “ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho. Educar é um ato de amor, é um ato de comunhão entre os homens”, como nos ensina Paulo Freire.

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