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A formação de professores numa encruzilhada

É grave o que nos aponta os indicadores revelados pelo Ministério da Educação sobre o déficit de professores no Brasil. Trata-se de um problema de Estado. As últimas informações registram que no país faltam professores principalmente para as disciplinas de matemática, física, química e biologia. A carência revela que precisaríamos contratar mais de 700 mil professores para a escola de educação básica. Somente no ensino médio necessitamos de 235 mil professores. Por que esta questão se apresenta de forma tão severa? O núcleo duro desta questão é colocado a partir da
valorização docente. Os cursos de formação de professores tiveram ao longo das últimas cinco décadas um completo abandono do Estado. A educação não é prioridade nas políticas públicas sociais. Os governos não compreendem que educação para além de dos seus custos é o investimento mais rentável, o que permite a melhoria da qualidade de vida do povo e acesso à cidadania para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática.

O desafio que se apresenta para a superação desta crise passa necessariamente pelo incentivo para que os jovens no seu processo de formação universitário tenha incentivo para formar-se professor. Daí é urgente a definição de um programa de indução à formação de professores ou um projeto de incentivo para a carreira no magistério, atraindo os melhores alunos e aqueles com talentos para a docência. Todo este esforço deve ter respaldo por uma política estratégica de melhoria contínua da escola pública agregada à valorização dos professores. A valorização de professor implica na melhoria das condições de trabalho e na qualidade da escola. Para efetivar esta importante ação é urgente a retomada do diálogo com os professores para revisão das condições salariais, abertura de concursos públicos, definição do projeto pedagógico nas escolas, planejamento focado com metas e resultados no pedagógico, acompanhamento da aprendizagem e avaliação dos alunos, implementação da gestão democrática e fortalecimento dos conselhos escolares como orgãos de estímulo, participação e motivação dos sujeitos da escola do processo de transparência da gestão escolar.

Também é necessário uma mudança na cultura escolar. A cultura do fracasso escolar – reprovação, repetência e abandono – deve ser superada pela cultura do sucesso escolar. O professor deve ser formado para saber ensinar. A sua formação deve contemplar a construção de uma nova
mentalidade no ensino. A reforma da educação em curso no Brasil, há mais de dez anos, trouxe a universalização da educação e ampliação do acesso à escola e à renovação das orientações curriculares definindo a concepção metodológica construtivista, pontuada pelos princípios a partir das categorias da interdisciplinaridade, da flexibilidade e da contextualização como elementos centrais para o desenvolvimento de uma prática pedagógica em que se deve priorizar o desenvolvimento de competências no ensino. Não podemos aceitar o resultado de pesquisas que apontam o analfabetismo escolar, no qual as crianças concluem a 8a. série do ensino fundamental com nível de 4a série; as da 4a. série com nível de 2a. série e as que terminam a 2a. série do ensino fundamental não sabem ler nem escrever. Essa situação é inaceitável. Daí é urgente que na
formação de professores estes problemas sejam enfrentados com seriedade, visto que é um lento processo de mudança na escola brasileira.

Todo o conjunto de transformações por que passa a escola hoje, mesmo que não sejamos a favor da reforma da educação, é preciso que estejamos a criticar a política educacional em curso, pois, a qualidade na educação deve se revestir como condição indispensável para uma cidadania inclusiva no mundo globalizado.

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